Sindicato dos Estivadores do Espírito Santo

Mobilização consciente dos estivadores do Espírito Santo

22/05/2026 às 15:32

A Diretoria do Sindicato dos Estivadores realizou, nesta quarta-feira (20/05), uma ampla jornada de mobilização e diálogo com os trabalhadores na base, percorrendo o Porto de Capuaba e o Terminal de Vila Velha (TVV), operado pela MSC. O principal objetivo foi detalhar os rumos do Projeto de Lei 733 e explicar os motivos estratégicos que levaram à suspensão da greve nacional que estava programada para esta quarta-feira, 20/05.

A decisão de suspender a paralisação foi motivada por um fato novo que altera o tabuleiro das negociações em Brasília: a confirmação de uma reunião oficial, agendada para esta quinta-feira, 21/05, com o relator da proposta, o deputado Arthur Maia. O encontro reunirá as três federações nacionais que representam a categoria portuária e a Federação Nacional dos Operadores Portuários (Fenop), com o objetivo de dar continuidade à costura de um acordo voltado especificamente para o capítulo de relações de trabalho do PL.

O cenário exige união absoluta da categoria e uma condução baseada na responsabilidade e na estratégia. Os portuários acumulam uma longa bagagem histórica de resistência frente a profundas reformas legislativas, tendo enfrentado os impactos e os desafios trazidos pela Lei 8.630/93, pela Lei 12.815/13 e, mais recentemente, pela Lei 14.047. O desafio atual não é menor, dado que o texto original do PL 733 carrega dispositivos considerados altamente prejudiciais à manutenção dos direitos dos Trabalhadores Portuários Avulsos (TPAs).

O presidente do Sindicato dos Estivadores, Cícero Gonzaga, destacou a importância de seguir o alinhamento nacional e a maturidade dos trabalhadores neste momento de transição:

"Nossa categoria já provou sua força em momentos cruciais da história portuária e, mais uma vez, demonstra união. O PL 733, em sua essência original, ataca frontalmente o trabalhador avulso. Por isso, seguindo as diretrizes da Federação Nacional dos Estivadores, entendemos que a negociação firme e o diálogo técnico na mesa com o relator são, neste momento, os caminhos mais eficientes para blindar nossos direitos. A suspensão da greve é um gesto de responsabilidade, mas a nossa base continua em estado de alerta e pronta para reagir se as negociações não avançarem de forma justa."

O sindicato reforça que o recuo na paralisação não significa desmobilização, mas sim uma escolha consciente de dar espaço à diplomacia sindical antes de adotar medidas de força maior. A diretoria e os trabalhadores permanecem em regime de plantão, aguardando os desdobramentos da reunião em Brasília para definir os próximos passos da mobilização no Espírito Santo.