Sindicato dos Estivadores do Espírito Santo

Nossa história

ESTIVA CAPIXABA – RUMO AOS CEM ANOS
Por Andréa Margon

Justiça social, ajuda mútua e organização do trabalho. Esses foram alguns dos pilares para a criação do SINDICATO DOS ESTIVADORES, TRABALHADORES AVULSOS E COM VÍNCULO EMPREGATÍCIO EM ESTIVA NOS PORTOS DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO (SETEMEES), em 20 de julho de 1918.

Tendo o centro de Vitória como cenário, trabalhadores colocaram legitimidade numa organização que, hoje, é o Sindicato dos Estivadores. Um dos mais antigos do Brasil.

Os anos se passaram e, com eles, muitas mudanças no sistema e nas relações de trabalho. Leis surgiram e morreram. E a cada nascimento e morte, as adaptações tiveram de ocorrer. Em maioria, de forma traumática. Mas, para essa gente brava e tenaz, a palavra mudança não assusta. É constante desafio, certo da vitória.

Seguindo para os cem anos, há muito que lembrar. Do trapiche à construção do Porto de Vitória. Do navio a vapor a grandes cargueiros, que trouxeram para o Espírito Santo o maquinário de uma das maiores siderúrgicas do mundo.

E, com as ondas do mar, o Sindicato dos Estivadores enfrentou de tudo. Uma grande tempestade aconteceu na era Collor, com a criação da Lei dos Portos. Uma mudança radical na relação capital-trabalho. O poder público saiu de cena e deixou trabalhadores e empregadores sozinhos, na mesa de negociação. Foi duro! Mas, obstáculo vencido.

Mais algumas marés e chegou à era Fernando Henrique Cardoso, que teve como marco as privatizações. Um abraço ao Porto Público, promovido por todos os trabalhadores, suspendeu esse fantasma que, agora, volta a assombrar com Michel Temer.

Enquanto o Brasil portuário se defrontava com a Nova Lei dos Portos, do Collor, o Espírito Santo negociava com todos os terminais, inclusive os privativos, fato impensável em outras bases.

Mal alinhado nas negociações, o Sindicato dos Estivadores se defronta com outra mudança no oceano político nacional. Surge, na era Dilma Rousseff, uma nova Lei Portuária. Outro cenário igualmente assustador. Até que, após muito estudo, compreende as regras e, mais uma vez, como camaleões, se adaptam à nova realidade.

Com o golpe parlamentar em 2016, o Sindicato dos Estivadores mostrou a sua “cara” e foi para as ruas. Enfrentou a truculência do Estado sem arredar pé de seus ideais. E promete se manter firme em defesa da democracia e do estado de direito.

História
Seu primeiro presidente foi Jarbas Santos. Logo após a criação da então União dos Estivadores de Vitória, que aconteceu no Bar Éden Parque, hoje edifício Glória no centro da capital, foi deflagrada a primeira greve da categoria no estado. Os estivadores reivindicavam reajuste salarial. A manifestação não foi vista com bons olhos pela Autoridade Portuária e pelo próprio Governo do Estado. Ao final, os estivadores foram vitoriosos.

Em 12 de julho de 1934 houve o reconhecimento como categoria profissional, pelo Ministério do Trabalho. A partir daí passou a se chamar Sindicato dos Operários Estivadores de Vitória. Em 05 de dezembro de 1941, virou Sindicato dos Estivadores de Vitória.

Dentre as ilustres figuras que visitaram a sede do SETEMEES estão Jones Santos Neves (na época candidato ao Senado), o então ministro do Trabalho, João Goulart; Mário Covas; Dorothéa Werneck; Telma de Souza (então prefeita de Santos/SP); Milton Santos (geógrafo); José Vicente da Silva (Vicentinho); Herbert de Souza (o sociólogo Betinho); e Luiz Inácio Lula da Silva (ex-presidente da República).

Em 1964, com o golpe militar, o SETEMEES passou a ser presidido por um interventor. Délio Lima ocupou o cargo e em 1965 foi a vez de Alencar Pereira do Nascimento. Passaram, ainda, como presidentes do SETEMEES, Ariston Fernandes de Almeida, Jairo Lamêgo Tabachi, João Mathias Filho, Jarbas Telles de Sá, Délio Lima, Jocy Gonçalves, Adelino Pereira, Jorge Luiz Ferreira dos Santos, Jetro Dantas, Jocimar Miguel Gonçalves, Cícero Benedito Gonzaga e, hoje, José Adilson Pereira.

Um dos mais antigos clubes de recreação do Espírito Santo também foi fundado num 20 de julho. Trata-se do 20 de Julho Futebol Clube. E, para abrigar a família estivadora, foi inaugurada, em 18 de julho de 1993, a Área de Lazer da Estiva, no bairro Camará, Serra.

Últimos presidentes